sábado, 24 de março de 2018

VEM


                                                    
Vem,
vem devagar
por entre as ondas
de mágoa e sal
envolta em tempestades
de sentimentos e medos
tão antigos como os meus olhos.

Vem,
vem devagar
por entre o vento suão
tão quente e agreste
semeado de desertos
onde mora a paixão
arrebatadora das tardes de outrora.

Vem,
vem devagar
escalar a serra imensa
tão calma e bela
em noites de lua cheia
despertando nova ilusão
num peito magoado no ficar.

Vem,
vem devagar
percorrendo a campina
imensa de saudade
de verde e pão
em dias de calmaria
que me sufoca o sonho e a razão.

Vem,
vem devagar
tapa-me os olhos
sustem-me a respiração
esmaga-me contra ti
no ímpeto de força e paixão
quebrando mil anos de servidão.

Vem,
vem devagar
em segredo mal guardado
percorre todos os caminhos
descobrindo o quem em ti mora
de tão novo e calmo
rio que aqui e agora desaguas.

HM
16/07/2017



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